domingo, 6 de outubro de 2013

Coca Cola, Funk e Administração de Crise

Fotomontagem de uma parte do composto visual do Branding da Coca-Cola
 Acompanhei com bastante indignação os primeiros momentos da crise do #ratocola, mas depois que o calor inicial passou, comecei a monitorar minha time line no Facebook e a reação das pessoas ao que estava acontecendo. Fiz uma seleção nos trends com o impacto do termo "Rato Cola" que surgiu na internet como viral difamando a Coca Cola:

Crise do rato na coca cola
Analise utilizando o Google Trends com pesquisa restrita a 90 dias no Brasil
Ele mostra como a repercussão dos termos aconteceu na internet e como a crise foi contornada com sucesso pela empresa. Mas ficou em mim a curiosidade: "O que foi feito e como?".

Comecei analisando se foi realmente feito alguma coisa ou se foi um caminho natural. Para só assim partir para ver se valeria alguma coisa entender o problema ou se era perda de tempo. Ai tentei identificar o que rolou em paralelo ao evento e me recordei que tinha visto compartilhado no Facebook:



Essa resposta recebeu um pesado investimento por parte da Assessoria de Imprensa, pois todos os veículos oficiais se esforçaram para maximizar seu impacto e mesmo que fosse um vídeo comum, totalmente dentro dos padrões institucionais sem rupturas, foi tomado por toda imprensa como "a resposta". Mas o que para mim foi mais efetivo é o título escolhido para o vídeo "Conheça a verdade sobre a Coca-Cola", não tem como negar isso, é a "verdade" e ponto.
Só por curiosidade, fui ver quem é atualmente responsável pela Assessoria de Imprensa e descobri que é a Textual, conforme página oficial da Coca Cola.
Mas voltando ao vídeo, vale destacar que foi visualizado por aproximadamente 5 milhões de pessoas, foi postado em 20/09/2013, quando a crise da #ratocola ficou mais forte nos trends.

Visualizações do video do video institucional da Coca Cola em resposta a Rato Cola
Retirado do Youtube
Dei uma olhada no twitter também em uma ferramenta gratuita de analise só para ter um comparativo, mas foi muito fraco...
Analise usando Tweetlevel
Ai zapiando hoje pela minha time line achei um vídeo de funk compartilhado por uma amiga que não tinha esse perfil e falando "melhor vídeo de funk da internet" e com interesse sociológico foi conferir, mas ele tinha alguma coisa marcante, alguma coisa que martelava na minha memória e indicava que não era algo natural... quando notei "coke" em no meu campo visual e prestei atenção, ai vi a linda jovem com "coca cola" na camisa e finalmente o "funk" fez sentido. Veja se você repara:


Note que é a trilha do "Abra a Felicidade" (sucesso de 2009). Ai me questionei que algumas marcas começaram a falar de branding sonoro há uns 5 anos que eu tenha visto, mas nunca vi uma aplicação tão sutil e estrategicamente elaborada como o "Clipe do Passinho" da Coca-Cola em resposta a crise do #ratocola. Essa estratégia me mostrou como ainda tenho a aprender em termos ação coordenada multi canal, por isso vou compartilhar com vocês.

Observe também que foi produzida uma versão alternativa e segmentada desse mesmo vídeo:



No fim a questão se diluiu e a crise foi totalmente controlada, mas independentemente de fato e ficção ficou uma sensação pairando de algo errado e por mais que o buzz que não seja forte, o momento sociopolítico brasileiro atual é de revoltas e revoluções sem causa e a imagem foi arranhada. E um entre muitos materiais que ilustram essa sensação é essa postagem:

Retirado da página oficial da Coca-Cola no Facebook

E tenho visto muitos "Igors" por ai. A questão é como a Coca Cola irá inovar e romper paradigmas? E o público já se cansou dos ursos polares e papai Noel no natal?

Concluí o objetivo da postagem, mas terminei com mais perguntas que quando comecei. Mas concluo com um vídeo da Coca-Cola (em inglês) que lhe fará refletir, pois ela mesma se questiona.